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Ai de Mim

19
Mar18

Pequeno Rebento

Eras tão pequenina quando nasceste.

Foi amor à primeira vista, mas já era amor antes de te ver. Como é que é possível um corpo gerar-se dentro de outro de uma forma tão perfeita?

Foste feita com muito amor e quando soubemos que vinhas a caminho ficamos tão felizes que choramos de alegria. 

Quando te colocaram nos meus braços deixaste de chorar e tinhas um ar tão sereno que parecia que tinhas estado a meditar durante anos. Contei os dedinhos dos teus pés e depois os das tuas mãos, que se fechavam em contacto com a minha. Lá estavam... ao todo, 20 dedos bem pequeninos. Sorri. Sorriste também como se tivesses percebido o meu alívio, se bem que te amava de qualquer jeito. Para uma mãe é sempre assim e um dia vais perceber isso.

Foste crescendo, deixaste a mama e passaste ao biberon (sua traidorazinha), vieram os primeiros dentes (essas pestes minúsculas que nos fizeram passar noites em claro), deixaste de querer só colo e começaste a querer caminhar sozinha, percebeste que se puxasses a toalha da mesa as coisas vinham até ti, deixaste a chupeta e, mais tarde, a fralda.

Passou tudo tão rápido. Aos 6 anos lá foste para a escola, com a mochila quase do teu tamanho e quando dei por ela já andavas no ciclo e já ias para a escola de autocarro sem precisares de mim para te acompanhar.

Fico muito orgulhosa de ver o meu rebento a desenvolver, mas ao mesmo tempo fico com o coração apertado porque sei que um dia, mais lá para diante, vais querer voar e eu vou ter que te deixar ir, lembrando-te vezes sem conta que enquanto respirar serás sempre a minha prioridade.

 

Agora vejo-te a ir para a faculdade, a lutares para alcançares os teus objetivos e, deixa-me que te diga, estás a traçar um belo caminho.

Continuo a ser uma mãe galinha, mas tento equilibrar um pouco as coisas. Não quero que me lembres que já não és uma criança, mas também não quero que sintas a minha falta ou, pior, que tenhas saudades minhas.

 

Bem, por hoje já chega de lamechices. Já são horas de ir dormir (a velhice tem destas coisas).

Nem sei se te entrego esta carta. Talvez a deixe propositadamente caída junto à tua escrevaninha. Se a vires e a leres não te acanhes de me acordar com um abraço e uma avalanche de beijos.

 

Há momentos que devem ser sempre bem aproveitados.

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