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Ai de Mim

07
Ago18

Sinto-me uma E.T.

Quando se entra num café onde nunca se esteve, seria de esperar que o cliente estivesse atento a tudo. É o que geralmente acontece: será que os doces são bons? Será que o café é bem tirado? Os funcionários serão atenciosos? Será que têm os devidos cuidados no que respeita a higiene e segurança alimentar? Como será a cozinha? As casas de banho estarão limpas ou serão uma javardice - tipo isto? Terão papel higiénico e sabonete para as mãos? O pano com que acabaram de limpar a minha mesa serve apenas para limpar mesas ou tem outras utilidades manhosas?

 

Acredito que, mais coisa menos coisa, todos façamos estas - e outras - perguntas.

 

O que tenho vindo a reparar é que, quando entro num café onde não sou conhecida sinto-me como uma E.T. Sinto-me analisada. e hoje apercebi-me que, provavelmente, todas aquelas questões que mentalmente faço, estão a ser lidas pelos donos e funcionários do estaminé através das minhas expressões (sempre fui muito transparente).

 

--

 

Entro no café. Quero sentar-me junto à janela numa mesa que lá tem. Em vez de 4 cadeiras em volta da mesa, estão 5. Coloco uma na mesa em que está em falta e reorganizo as 4 cadeiras da mesa que quero ocupar. A senhora vem ter comigo e eu já tenho as minhas coisas na mesa, que não se encontrava suja, apenas umas migalhas. Em vez de me pedir licença para poder limpar melhor a mesa, passa o pano à "foge-que-te-agarro" enquanto me pergunta o que desejo.

Um café e uma Frize de limão bem fresca. Fala alto para os colegas, para lhes comunicar o meu pedido. Passado pouco tempo vem outra senhora com o que pedi. O café vem numa chávena lascada - o que é proibido por causa da transmissão da doença do beijo. O copo para colocar a Frize tem manchas de água - o normal -, é sinal que o lavaram.

Bebo primeiro o café, mas guardo o pacote de açúcar. Analiso bem a chávena para não colocar os lábios na zona lascada. Em seguida bebo a Frize. Termino. Tenho que fazer horas, por isso pego no livro que anda sempre comigo e começo a lê-lo. Como é verão, há algumas moscas por ali e, por acaso, são um animal com o qual não consigo simpatizar e, consequentemente, conviver. Começo a ficar inquieta.

A 1.ª senhora começa a falar alto, em tom de brincadeira, com um cliente habitual, ou seja, um não E.T. Não gosto de barulho, principalmente daquele que se assemelha a uma peixeirada. Pego nas minhas coisas e vou ao balcão para pagar. Um euro e setenta. Tenho trocado certo.

Saio do café e, ao entrar no carro, vejo um senhor também a sair do estabelecimento para ir colocar um saco no contentor do lixo. Sorri largamente como se me conhecesse e eu devo ter respondido com uma cara de ponto de interrogação. E sempre com um sorriso, o senhor diz-me: "Bom trabalho". Agradeço.

 

Conclusão: acho que pareço uma Cliente Mistério ou uma inspetora da ACT ou da ASAE.

Não o sou, mas ao que tudo indica tenho pinta para isso. 

Café

(imagem encontrada aqui

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